Alterofobia 3 – O Medo do Outro

Capítulo III – Ser Diferente e Lidar com o Diferente

Imagine ser diferente em um mundo de iguais? Imagine estar acostumado a “Aqui” e não saber o que te espera “Lá”?

Como seria ter barba em um mundo de imberbes? Como um mundo que não sabe o que é “barba” vai lidar com esse desconhecido? Como você, o barbudo, lidaria?1

Como lida com o desconhecido a pessoa que não tem no seu radar aquela possibilidade? E se essa nova possibilidade abre uma caixa de complexidades difícil de processar?

Reações frente a este complexo é o que se vê de forma constante na sociedade de hoje em nome do diferente, das minorias, do outro time. Como eu lido com cor, crença, ideologia e orientação sexual diferente? Como eu lido com aquele que processa o mundo de forma diferente – em cultura, em forma de lidar com o outro?

Estratégias de Defesa

São as generalizações, os encaixotamentos em pré-conceitos, a repulsa e a fuga o que escuto como estratégias automáticas para nos defendermos do desafio que é estar em contato com o diferente.

O diferente incomoda.

Falamos da impossibilidade de lidar com a complexidade do mundo. Para darmos conta, julgamos e pre-julgamos muitas vezes de forma a aproximar o que não entendemos de algo mais simples ou de algo já conhecido que faz parte da nossa realidade atual.

Funcionamos assim. O problema é que as vezes essas aproximações não dão conta da realidade. E nesses casos já não podemos mais operar em cima de julgamentos prévios e o que nos chega é uma enxurrada: confusão, raiva, frustração.

Será essa enxurrada algo que podemos evitar?

Será o medo do outro o nosso mecanismo de defesa natural?

Se não podemos evitar, o que fazer? O que poderia nos preparar para este momento?

Estratégias para viver com o diferente

Aceitar que temos a tendência a simplificar e que talvez o diferente nos coloque em estado de alerta pode, por um lado, nos tirar um peso: aceitamos que reduzimos o mundo sem culpa e que as vezes podemos julgar o diferente como ameaça de forma automática.

Se isso é ser humano, somos humanos.

Mas ser humano não justifica agirmos de forma inumana.

Como responder e não reagir a este estado de alerta? Como responder a um choque de cultura, uma crença ameaçada ou ao inconcebível?

Como sermos integralmente responsáveis pelas respostas que damos?

Não creio que essa seja uma resposta para um indivíduo. Não conseguimos responder bem ao que não conseguimos ver e quando estamos em estado de alerta.

Se aceitamos que as vezes estamos assim e que aí não damos conta, o que podemos fazer quando não damos conta?

Imagino que podemos pedir ajuda. Pedir ajuda para aqueles que tem nos acompanhado nesta vida, família, colegas…

Esse trabalho não é individual, é um trabalho relacional, um trabalho para processarmos em coletivo, em grupo ou com uma comunidade.

Quanto mais diversa a comunidade e quanto mais se explicita essa diversidade, menos transparente o mundo e maior nossa capacidade de resposta. Quanto maior nossa capacidade de resposta, mais íntegro somos como indivíduos, como coletivo e como seres humanos.

Reconhecer o medo do diferente é o primeiro passo para, com ajuda de outros, responder de forma corajosa e íntegra ao complexo mundo em que vivemos.

  1. Para ver essa história muito bem contada vale a pena conhecer A Gigantesca Barba do Mal.

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