Educação, Escola e Aprendizagem: Educere em Demasia

from wikipedia.org

Depois de ter saído de trabalhar em uma escola, acaba sendo muito fácil começar a escrever sobre escola/educação e deixar a aprendizagem de lado. Apesar de todas as linhas que as conectam, vale sempre lembrar que escola é diferente de educação e que educação é diferente de aprendizagem.

Educação, Escola e Aprendizagem

Escola diferente de educação e aprendizagem é mais fácil de explicar. Escola não é, e não deveria ser entendida como, o lugar que define o processo educacional e muito menos onde começa o aprendizado.

Já educação, de educare e educere, é mais complexo e gera diferentes interpretações. Por aqui, considero o ‘conduzir educacional’ diferente de aprendizado porque este último, diferente do primeiro, é inevitável e inerente ao ser humano.

Criar espaços e oportunidades de aprendizado é diferente de educar e de escola. Escolas e sistemas educacionais tem suas práticas e teorias de aprendizagem, mas aprendizagem também existe na prática sem necessidade de teorizar muito.

A arte de criar espaços de aprendizagem é a arte de proporcionar oportunidades de um encontro fundamental entre duas ou mais pessoas — a pré-disposição de estar com o outro em um relacionamento entre dois Sujeitos, ao invés da relação Sujeito—Objeto.

Sujeitos de Gerações Diferentes se Encontram na Escola

Uma constatação do tempo trabalhando com crianças — e daí talvez o convite frequente para falar em escolas — é que são poucos os adultos que se relacionam com crianças sem transformá-las em Objeto e ainda por cima convidá-las a uma cultura em que a criança também se relacionar com o adulto e com outra criança da mesma forma Sujeito—Objeto.

Na escola, encontro inter-geração de Sujeitos é raro ou inexistente.

E a relação aprender/ensinar, que tem o seu lugar, não pode ser monopolizadora da relação entre adultos e crianças. Nessa relação sempre existe um distanciamento entre Sujeitos, , por mais que se esforce o adulto em diminuir essa distância. O pensar pedagógico, na mesma medida e seja ele qual for, distancia o adulto da criança. Simplesmente estar com a criança é muito mais desafiante do que entender Vygotsky.

Educere desde Cedo

Em exemplo prático: li a apresentação que recebi de escolas/berçários paulistanos e a pedagogia e o educere são muito mais comuns do que a atenção em criar espaços para estar com a criança.

Lembrando que estamos falando de bebês menores de um ano, compilo trechos de algumas.

“O desenvolvimento do cérebro ocorre através da educação. Sob esse enfoque a escola norteia o processo de aprendizagem para aproveitar o que os neuro-cientistas chamam de…”

“A Proposta Pedagógica da Escola é fundamentada na abordagem sócio-construtivista, que considera a criança como ser social, dotado de potencialidades e capacidades a serem desenvolvidas no contato com seu grupo, atuando sobre o meio e modificando-o.”

E nesse meio há, ainda bem, outros espaços:

“Nosso modo de entender o bebê, vendo-o como uma pessoa, é o maior diferencial de nosso trabalho. Tratar bebês como pessoas pode parecer óbvio […], mas não é: grande parte dos profissionais ainda encara os bebês como coisas ou bichinhos […] — basta tratá-los com higiene e carinho.”

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2 replies
  1. Arnaldo V. Carvalho
    Arnaldo V. Carvalho says:

    Levantou uma bola fundamental aqui Augusto. O das interrelações não hierarquicas. Hierarquia me parece ser um dos elementos essenciais na criação de relações objectuais no ser humano. Interessante ver isso extrapolar ao limite máximo na Internet, onde a virtualidade pode num só tempo objetualizar a 100% mas ao mesmo tempo, afrouxa pressões emocionais que só o contato real de olhares e expressões é capaz de obter. Que me diz caro amigo e demais leitores?

    Arnaldo V. Carvalho

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