Quem somos quando nos observamos?

by Alejandra Mavroski

Olhar para si mesmo é olhar para as reações que temos quando percebemos acontecimentos ao nosso redor. Essas reações são aqueles pensamentos, julgamentos, sensações e emoções que aparecem de surpresa e que vamos re-conhecendo aos poucos.

Quem somos quando nos observamos? Somos essas reações, com toda maquiagem que produzimos sobre elas, somado a uma caixa preta de declarações recursivas que gostamos de exercitar para poder, inclusive, aplicar boas maquiagens nas reações que somos.

De forma mais direta fica assim: eu sou quando sou de surpresa. O resto é minha imagem de mim, maquiada para satisfazer meu desejo oculto de não ser eu mesmo. Sim, mais ou menos como no Facebook de quase todo mundo.

Muito se fala em olhar as coisas, pessoas e situações de formas diferentes, de inclusive nos olharmos de formas diferentes. O olhar do indivíduo não nos permite novas diferenciações. Simplesmente porque não estamos sendo de surpresa, olhar assim só serve de material para maquiagem do ser.

Só podemos ser de surpresa em relação. No relacionar com o outro temos a oportunidade de refinar nosso olhar para nós mesmos.

Assim, uma mudança minha e do meu mundo vem de prestar atenção no que sou no momento da relação com o outro. A mudança vem de algo que me descortina, mesmo que só eu mesmo possa ver a diferença. É algo que perturba o que tenho sido até então.

Em lugar de expandir o nosso olhar, melhor é aprender a prestar atenção no momento em que somos descortinados. Neste momento aprendemos sobre nós e refazemos o nosso mundo.

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3 replies
  1. Aline Alegria
    Aline Alegria says:

    Obrigada pelo lindo texto(few words and a lot of meaning). 🙂
    Sempre pensei sobre essa ideia recorrente da necessidade de expansão do olhar, como um exercício que eu decido quando, como e onde acontece. Não faz muito sentido mesmo. Quando não dá tempo pra pensar (o inesperado das relações) a gente se vê e nem sempre é poético, mas não sei o que pode ser mais rico e verdadeiro que isso.

    • Augusto Cuginotti
      Augusto Cuginotti says:

      Olá Aline, muito obrigado por suas palavras. Gostei do ‘nem sempre é poético’ – se bem que alguns amigos dizem que são nos momentos em que a gente se vê e a coisa tá feia que a poesia flui mais. Será?

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