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Resultados em Colaboração

Apenas terminado um outro dia sendo anfitrião de um grupo de pessoas fazendo seu trabalho em colaboração.

quando se julga que tudo foi bem

Nestes trabalhos, quando as coisas vão bem, pode ser que o ego convide para que sonhemos que esse sucesso tem a ver com quão maravilhoso é nosso trabalho e quão bem estávamos hoje.

A experiência nos mostrou que sucesso com grupos não é resultado nosso: as pessoas são mesmo boas trabalhando juntas.

Ao mesmo tempo, em muitos casos, nosso trabalho é essencial como um instrumento para sustentar a experiência de colaboração.

Essencial somente para nos atentarmos a que os padrões de controle e hierarquia excessivos voltem a emergir. Normalmente eles aparecem em conversas supostamente colaborativas, mesmo sem termos consciência, porque são padrões aprendidos e revisitados por tantas vezes que por fim ressurgem como um hábito.

quando se julga que não foi assim tão bem

Quando as coisas não vão assim tão bem podemos escolher o caminho de carregar tudo nas costas e culpar nossa incompetência ou inabilidade – muito do mesmo comportamento “o resultado tem a ver comigo”.

Ou ainda podemos culpar uma fonte externa como responsáveis pela insuficiência. Assim, por vítima que somos, não temos culpa de nada.

Independente da escolha, ambas carregam em si o pressuposto de um processo simplificado em relações de causa e efeito e no qual podemos encontrar alguma coisa ou alguém para culpar e, claro, consertar.

em todo caso

No fim, sabemos que o resultado não tem a ver conosco e que ao mesmo tempo temos um papel essencial nele.

Somos insignificantes em relação ao que vai se desenrolar e também essenciais por criarmos contexto e container para o processo.

Contexto, Container e Conteúdo

Neste trabalho agimos procurando o entendimento e a escolha das condições que sao necessárias e também prestando atenção enquanto as coisas se desenrolam.

Podemos olhara para ele através de 3 Cs: Container, Contexto e Conteúdo.

o encontro começa antes do encontro

Antes mesmo de encontrar com o grupo face a face, estamos em plena atividade criando contexto e container para a conversa, normalmente com um bom tanto de trabalho prévio, algumas entrevistas para adquirir a linguagem, uma boa ponderação de espaço e estrutura, etc.

Aqui, ainda que a energia esteja diluída, é onde 80% da quantidade de trabalho acontece. Contexto e container farão uma importante parte do trabalho mais para frente.

e o foco do evento conversacional

Quando finalmente nos encontramos é hora de aplicarmos a arte de estar presente e escutar profundamente tanto o flutuar do contexto quanto o desenrolar do conteúdo, seja este expresso em emoções, ações ou conceitos. Esse momento é intenso energeticamente, mas contém menos trabalho quantitativo.

Uma pessoa de fora não vê muito sendo feito, já que muito do nosso trabalho é ficar ali parado, prestando atenção.

E todo o conteúdo que colhemos juntamente com o grupo está conectado a todos os presentes e também ao contexto e o container criados. É um resultado em colaboração.

Leia Mais

  • Don’t Just Do Something, Stand There!: Ten Principles for Leading Meetings That Matter – Marvin Weisbord e Sandra Janoff – e-book na Amazon
  • The World Café: Shaping Our Futures Through Conversations That Matter – Juanita Brown, David Isaacs e a Comunidade do World Cafe – e-book na Amazon

Luiza Padoa and Juliherme Piffer

Manifestando uma Revolução de Segunda Ordem

O protesto por si só não pode garantir uma visão de longo prazo para um país, de modo que o caminhar em linha reta das manifestações tem que ser re-configuradas em círculos de diálogo e novos padrões de democracia participativa. Isto é o que está acontecendo no Brasil.

Este texto foi produzido originalmente em inglês para OpenDemocracy – Transformation e sua versão original se encontra neste link. Obrigado Darlene Coelho pela tradução. Arte acima por Luiza Padoa e Juliherme Piffer


 

Como a energia de manifestações de rua pode ser utilizada para a transformação de longo prazo da sociedade? Como uma revolução pode gerar propostas concretas de mudança sem se reduzir a um discurso político?

Estas são questões que emergem de cada protesto, assim que os cartazes e cacetetes são baixados.. Respondê-las requer o que eu chamo de uma “revolução de segunda ordem.”

A partir de junho de 2013, muitas cidades brasileiras explodiram em uma onda de protestos de rua. Eles iniciaram por um aumento de sete por cento nas tarifas de ônibus, mas se transformaram em uma declaração mais geral de insatisfação pública com a situação do país: “Basta! “, o público parecia estar dizendo.

Os políticos se esforçaram para compreender e chegar a definições sobre o que estava acontecendo, e tentaram em vão identificar representantes dos manifestantes com quem pudessem falar. Após de milhões de pessoas permanecerem nas ruas por semanas, o aumento da tarifa de ônibus foi revogado, mas muitos brasileiros continuaram suas ações à medida que outros temas eram desdobrados e mais exigências eram feitas.

Muitos comentaristas e ativistas escreveram sobre estas experiências como um ponto de inflexão em potencial no Brasil, e tentaram explicá-las em termos do contexto econômico do país, dos gastos extravagantes para a próxima Copa do Mundo, e do poder das redes sociais para mobilizar manifestações de grandes dimensões.

As fotos dos protestos mostram milhões de pessoas nas ruas, demarcando um momento potencialmente histórico para o país. O que é interessante, para mim, é que estas imagens mostram um padrão comum de protestos de rua no qual a maioria das pessoas está olhando na mesma direção – marchando em linha reta, quase como uma divisão militar em ação. Mas as sociedades como um todo não funcionam dessa maneira (principalmente as democráticas), porque as pessoas não concordam com os detalhes de como a ordem estabelecida deve mudar após os protestos.

O protesto por si só não pode garantir uma visão de longo prazo para um país, de modo que o caminhar em linha reta das manifestações tem que ser re-configuradas em círculos de diálogo e novos padrões de democracia participativa. Isto é o que está acontecendo no Brasil.

Os brasileiros vão continuar a mostrar o seu descontentamento sobre um país que é conhecido por sua corrupção, e pelas enormes lacunas que existem entre ricos e pobres. Mas ao lado dos protestos públicos visíveis algo mais sutil está acontecendo: conversas em espaços públicos sobre a futura direção da sociedade.

Tais conversas representam uma revolução de segunda ordem. Elas têm o potencial para transformar o modo pelo qual a mudança social é construída, permitindo que novas histórias emerjam. E elas convidam os cidadãos a se apropriarem dos espaços públicos, a fim de explorar versões divergentes sobre a trajetória de seu país e formar novas compreensões coletivas.

By @David_EHG

Evento 1000 mesas em Israel

“Círculos de diálogo” como estes têm ocorrido em muitos outros lugares. Em Israel, por exemplo, mais de trinta cidades se reuniram ao redor de 1.000 mesas em 2011 para explorar as questões políticas e sociais que eles enfrentam. O principal espaço de diálogo (uma praça em Tel Aviv) foi transformado em um enorme salão com espaço para 5.000 pessoas. Da mesma forma, durante o tumulto na Grécia, que teve lugar entre 2010 e 2012, o público ocupou a Praça Syntagma, no centro de Atenas. Embora a ocupação não tenha produzido muito diretamente pelo caminho do diálogo, ela abriu caminho para surgirem outros espaços e conversas.

No caso do Brasil, conversas públicas deste tipo foram organizados em quatro grandes cidades, assim como em muitas localidades menores em todo o país. Em Brasília – uma dos primeiras a acolher esses diálogos – a iniciativa surgiu a partir de um grupo de pessoas que queriam explorar o que seria necessário para criar uma ponte entre a situação atual e o futuro que desejavam.

Percebi que seria uma conversa superficial se não tecessemos nossas idéias juntos, disse Sérgio

Em uma recente entrevista comigo, Sérgio Monforte, que estava envolvido em um desses círculos, explicou como o processo começou: “Nós estávamos sentados em plenário em um espaço público próximo ao Congresso Nacional”, disse ele, “e percebi que seria uma conversa superficial se não tecessemos nossas idéias juntos. “Monforte e outros propuseram a criação de pequenos grupos para explorar questões sem temas pré-definidos, e para suscitar idéias de ação. “Nem todos concordaram”, continuou ele, “por isso no início fizemos um grupo paralelo com o plenário.” As idéias foram colhidas para descrever a transição entre “o Brasil de hoje e o Brasil que queremos no futuro”, incluindo “a morte de petróleo “e construção de “redes de comunidades sustentáveis”.

Essas discussões iniciais também produziram uma série de pequenas ações conjuntas, como um vídeo para explicar como as leis são criadas e alteradas no Brasil; um exercício para ajudar as pessoas a conversarem entendendo os pontos de vista de cada um, e propostas sobre como outros grupos poderiam ser apoiados para sediar conversas semelhantes. Como resultado destas propostas, foi criado um guia de metodologia com base na experiência de Tel Aviv. Ele descreve o processo de conversa em grupo chamado World Café, uma tecnologia social que permite conversas acontecerem em uma grande escala, sem suprimir a diversidade de vozes presentes. No final do processo, os resultados da conversa foram apresentados de forma visual.

Por definição, [espaços públicos] é onde um legislador deveria estar – disse Ricardo Young

Em São Paulo, os diálogos ocorreram ao longo da Avenida Paulista, o centro financeiro do país, mas também em um espaço público que há muito havia sido esquecido – dentro assembléia legislativa da cidade. Ricardo Young, vereador da cidade de São Paulo, participou dessa conversa e seus resultados auxiliaram seu trabalho: “diálogos públicos são um instrumento essencial em que o legislador pode expressar suas opiniões e ouvir diferentes pontos de vista sobre a realidade,” ele me disse , “por definição, este é o espaço onde um legislador deveria estar.”

Será que esse processo realmente afetará o futuro do Brasil, uma vez que continue a evoluir? Essa é a pergunta óbvia, e não é possível responder a ela agora. Mas sem algum tipo de discussão pública em larga escala, ela não será respondida de forma democrática.

Václav Havel, escritor, ativista e ex-presidente da República Checa, uma vez observou que “eu realmente vivo em um sistema em que as palavras são capazes de abalar toda a estrutura do governo, onde as palavras podem ser mais poderosas do que dez divisões militares.”

Sem sinais de colapso do regime comunista e pouca esperança no horizonte, Havel e seus amigos se encontravam secretamente para sediar conversas e gerar novas histórias sobre o futuro. Eles se encontravam em cafés subterrâneos e publicavam jornais alternativos . Eles convidavam para o debate e criavam novas idéias e interpretações sobre a política e a economia . Até mesmo os membros do regime comunista achavam uma forma de se juntar a essas conversas . Essas pequenas ações não abalaram o sistema maior diretamente, mas ao longo do tempo uma compreensão coletiva diferente sobre a sociedade checa começou a surgir.

O Brasil de hoje é muito diferente da Tchecoslováquia de Václav Havel sob o regime comunista, mas isso não dilui a importância dos tipos de conversas a que ele estava se referindo. Muito pelo contrário, já que essas conversas deveriam ser muito mais poderosas nos espaços públicos de um Estado democrático. Com o tempo, elas podem até abrir uma oportunidade para transformar a própria democracia, desde as eleições representativas a cada quatro anos até um processo contínuo de diálogo público participativo.

Os protestos de rua não vão e nem devem desaparecer, mas talvez as manifestações do futuro incluam a caminhada de milhões, seguida por milhares de círculos de diálogos. Talvez a definição de novas leis seja precedida de conversas abertas que ocorram em um parque público perto de você, e anfitriadas por quem esteja interessado. Imagine o que poderia acontecer se os representantes políticos fossem se juntar a essas conversas para se encontrarem com seus eleitores face a face. A responsabilidade política não mais seria delegada a poucos. Em vez disso, o público poderia estar mais próximo e se apropriar do processo político.

Sociedades complexas exigem altos níveis de participação pública, e não apenas nas ruas, mas nos espaços onde as idéias e opiniões nascem e são moldadas. Estes espaços poderiam tornar-se laboratórios de engajamento público em um nível totalmente novo, abrindo as portas para uma revolução na democracia.

from lesliewong.us

Arquitetos do Encontro

Este texto foi publicado originalmente no blog do Hub Escola.


Que boa surpresa poder ver na última edição do Hub Escola a quantidade de oficinas e conversas sobre conversar: diálogos, conversas que importam, essência da facilitação, comunicação autêntica.

A importância de conversar como forma de agir no mundo ganha o espaço que merece – conversar é a ação que nos permite coordenar nossas ações conjuntas e são as conversas sobre o que importa hoje que fundamentam o mundo que queremos. Conversar é construir mundos em conjunto e, além de tudo, é conversando que a gente se aprende.

Conversar é uma arte que se desenvolve participando integralmente do encontro com o outro. É uma arte que demanda atenção e dedicação para que possamos nos enxergar como agentes dessas conversas. Mesmo em momentos em que estejamos aparentemente não agindo, ainda assim precisamos de atenção para escutar ativamente o outro. Uma boa conversa é um bom investimento da nossa energia e um desafio para nossa habilidade de estar presente.

De mãos dadas com a arte de participar integralmente caminha a arte de criar espaços e condições para que aconteçam as conversas que são chave para o nosso momento, seja ele pessoal ou de um coletivo. É importante que tenhamos espaços para que a comunicação sobre o que importa para nós neste momento possa acontecer.

Estive recentemente no Vale do Anhangabaú e, olhando para o espaço vazio com pouca gente espalhada lendo jornal, pensei no artigo enviado por uma amiga em que um arquiteto famoso por reurbanizar cidades européias afirma: “São Paulo precisa de espaços de encontro”. Além da arquitetura física, a cidade e qualquer outro espaço precisa de arquitetos do encontro – gente que escuta qual a conversa que deve acontecer e cria as condições para que ela se torne realidade.

Já existem vários espaços interessantes de encontro na cidade, o Hub Escola é um exemplo deles, as Manifestações Diálogo, outro. São estes encontros, em espaços públicos ou privados, que são convite à comunicação e ao diálogo. São convites para nos desenvolvermos como seres que melhor nos relacionamos e também para desenvolvermos as inquietações que nos movem neste momento.

Arquitetos ou artistas do encontro são as pessoas que ouvem suas inquietações individuais e as coletivas e criam os espaços necessários para que conversas significativas possam acontecer.

Se você já se aventura ou quer se aventurar em explorar a arte do encontro, uma oportunidade este ano é estar com outros artistas na Vila de Aprendizagem, compartilhando e ouvindo as práticas de quem convida pessoas para aprender junto. Informações sobre a Vila em: http://viladeaprendizagem.com.br

by vgm8383

A Arte do Convite

Existe uma aura em volta de um convite bem feito. Imagine um convite, escrito ou falado, com uma mensagem que te chama a atenção, algo que de alguma forma diz que ele foi feito para você e chegou no momento certo.

Um convite tem um aspecto mágico, ele coloca uma nova possibilidade na mão daquele que o recebe. Existe algo novo, que faz sentido para mim, e existirá uma oportunidade futura de que eu faça parte.

Quando aceitamos ou não um convite, abrimos e fechamos algumas possibilidades, tomamos uma decisão em uma ou outra direção. Um convite é como aquelas placas na encruzilhada das estradas, indicam possíveis direções na nossa jornada.


A beleza do convite está relacionada com a liberdade que ele gera. Um convite não é um comando, um direcionamento forçado. Aquele que convida genuinamente está pronto a receber aceites e recusas.

Se um convite não obriga a ação de aceitá-lo, certamente obriga o convidado a tomar uma posição. Convidar não é uma ação inocente, é um ato direcionador e modificador de mundo.

Quem convida abre um espaço para possibilidades, mas também direciona de duas maneiras:

    1. Quem convida delimita o que quer coordenar com os outros: qual o evento, com qual propósito, em qual lugar e em que momento, etc. Aceitar o convite normalmente implica aceitar as delimitações.
    2. Quem convida obriga o convidado a decidir-se. Um convite não é inocente – pede uma ação do convidado, mesmo que esta ação seja uma recusa por falta de resposta.

A arte de convidar é a arte de aprender a abrir elegantes possibilidades. Convidar é a primeira materialização do fazer bem para aquele que recebe bem. A Arte está relacionada com encontrar o ponto ótimo entre a possibilidade direcionada e a liberdade de escolha.

Como mandam as artes, a arte de convidar se aprende convidando. Estou procurando por convites bem feitos – escritos, vídeos, poemas, etc – para conhecer mais sobre a materialização desta arte. Tem algum que vem à mente e que você pode compartilhar comigo?

by ABELOroz

4 Práticas para Anfitriar Aprendizagem

Nunca ninguém se perdeu
Tudo é verdade e caminho.
Fernando Pessoa

Quatro Práticas

1. Acredite nas pessoas — Quem convida para aprender como anfitrião não precisa ensinar nada, simplesmente confia no convite e nas pessoas. Pode ser difícil de acreditar, mas por mais que as vezes nem elas mesmas tenham consciência, elas podem. E só elas podem. Se elas não podem é porque não está na hora e não tem nada a ver com você.

2. Esteja Disponível — Desocupe-se. Todas as contingências do mundo não são sua responsabilidade e o que precisa estar preparado já está. Preparou mal? Entregue-se, mas não arrume. Confesse o erro mas não explique a piada. Continue disponível porque este é o seu papel – a responsabilidade do que acontece no presente é sempre compartilhada com todos os presentes.

3. Seja Invisível — Gabe-se de nem aparecer no trabalho. Um bom anfitrião fez a maioria do trabalho antes de tudo começar. Ele pode dar as boas-vindas, mas não é mestre de cerimônias e nem conferencista. Ele fica invisível a quem participa o máximo que pode e é fundamental como são as coisas que não se nota.

4. Preste Atenção — Não analise o que acontece, não leia ninguém nem nada. O único trabalho é prestar atenção. Em alguns casos, por prestar bem atenção, alguns padrões ou hipóteses podem aparecer – pergunte-se: é imperativo que eu a aponte para o rei nu? Se não for, cale-se. Se for, limite-se a uma pergunta bem formulada.


Algumas Dicas para o Caminho

Dicas que está no caminho certo:

  • Sua autoridade é marginal, as pessoas tomam liberdades sem nem olhar para a sua cara.
  • Nem lembram que você existe no final do dia.
  • Em algum momento pensaram em te mandar para casa.
  • Reclamam que você faz muita pergunta.

Dicas que que está no caminho errado:

  • Está muito cansado ou sem voz no final do dia.
  • Sabe quem é o porta-voz e o bode expiatório.
  • Você justifica ou lamenta acontecimentos do coletivo.
  • Recebe elogios por colocar ordem na bagunça.

O que ajuda:

  • Ficar quieto – contar ovelhas quando der vontade de falar.
  • Respirar fundo – sempre uma vez além do que você acha necessário.
from wikipedia.org

Educação, Escola e Aprendizagem: Educere em Demasia

Depois de ter saído de trabalhar em uma escola, acaba sendo muito fácil começar a escrever sobre escola/educação e deixar a aprendizagem de lado. Apesar de todas as linhas que as conectam, vale sempre lembrar que escola é diferente de educação e que educação é diferente de aprendizagem.

Educação, Escola e Aprendizagem

Escola diferente de educação e aprendizagem é mais fácil de explicar. Escola não é, e não deveria ser entendida como, o lugar que define o processo educacional e muito menos onde começa o aprendizado.

Já educação, de educare e educere, é mais complexo e gera diferentes interpretações. Por aqui, considero o ‘conduzir educacional’ diferente de aprendizado porque este último, diferente do primeiro, é inevitável e inerente ao ser humano.

Criar espaços e oportunidades de aprendizado é diferente de educar e de escola. Escolas e sistemas educacionais tem suas práticas e teorias de aprendizagem, mas aprendizagem também existe na prática sem necessidade de teorizar muito.

A arte de criar espaços de aprendizagem é a arte de proporcionar oportunidades de um encontro fundamental entre duas ou mais pessoas — a pré-disposição de estar com o outro em um relacionamento entre dois Sujeitos, ao invés da relação Sujeito—Objeto.

Sujeitos de Gerações Diferentes se Encontram na Escola

Uma constatação do tempo trabalhando com crianças — e daí talvez o convite frequente para falar em escolas — é que são poucos os adultos que se relacionam com crianças sem transformá-las em Objeto e ainda por cima convidá-las a uma cultura em que a criança também se relacionar com o adulto e com outra criança da mesma forma Sujeito—Objeto.

Na escola, encontro inter-geração de Sujeitos é raro ou inexistente.

E a relação aprender/ensinar, que tem o seu lugar, não pode ser monopolizadora da relação entre adultos e crianças. Nessa relação sempre existe um distanciamento entre Sujeitos, , por mais que se esforce o adulto em diminuir essa distância. O pensar pedagógico, na mesma medida e seja ele qual for, distancia o adulto da criança. Simplesmente estar com a criança é muito mais desafiante do que entender Vygotsky.

Educere desde Cedo

Em exemplo prático: li a apresentação que recebi de escolas/berçários paulistanos e a pedagogia e o educere são muito mais comuns do que a atenção em criar espaços para estar com a criança.

Lembrando que estamos falando de bebês menores de um ano, compilo trechos de algumas.

“O desenvolvimento do cérebro ocorre através da educação. Sob esse enfoque a escola norteia o processo de aprendizagem para aproveitar o que os neuro-cientistas chamam de…”

“A Proposta Pedagógica da Escola é fundamentada na abordagem sócio-construtivista, que considera a criança como ser social, dotado de potencialidades e capacidades a serem desenvolvidas no contato com seu grupo, atuando sobre o meio e modificando-o.”

E nesse meio há, ainda bem, outros espaços:

“Nosso modo de entender o bebê, vendo-o como uma pessoa, é o maior diferencial de nosso trabalho. Tratar bebês como pessoas pode parecer óbvio […], mas não é: grande parte dos profissionais ainda encara os bebês como coisas ou bichinhos […] — basta tratá-los com higiene e carinho.”

from bw-grid.de

Nos Separamos das Nossas Crianças

Tive muitas conversas interessantes com os queridos anfitriões de um recente encontro na Eslovênia.

Juntei-me a uma vila de aprendizado, uma semana de espaço aberto para conversarmos sobre as questões que nos interessa e para aprendermos a viver e aprender juntos.

Uma das conversas recorrentes e que bastante me marcaram foi a relação de todos nós, moradores desta vila temporária, com as mais de 20 crianças que estavam presentes – de 3 a 17 anos de idade.

Ficou clara a dificuldade de relacionamento entre adultos e crianças e mais ainda a falta de reflexão que fazemos da diferença de ter muitas gerações dividindo o mesmo espaço.

Em toda vila que se preze existe gente das mais diversas idades. Há inclusive os mais idosos e as crianças que eventualmente necessitam de cuidados e atenção extras. Nela se vive todo mundo junto, um aprendendo com a geração de antes e de depois.

Acontece que já não vivemos mais em vilas. Nos separamos das crianças e não sabemos mais como lidar com a diferença de idade e de contribuição para uma vida em comunidade. Os que tem filhos tem um pouco mais de vivência, mas mesmo assim não muita (vão cedinho para uma instituição que “cuida”), e não necessariamente com um grupo de crianças se relacionando.

Nesse espaço ficou clara a dificuldade de se relacionar e até de se falar sobre o saber relacionar-se com crianças. Queríamos conversar e os pequenos gritavam, corriam e faziam bagunça. E agora? Estamos em uma vila ou em uma conferência? Quem vai dizer para o menino que isso não pode? Cadê a mãe desse moleque pentelho?

Nos separamos das nossas crianças. Nós, herméticos, aprendemos apenas com os racionais escolarizados. As crianças aprendem com um de nós em como se tornar racionais escolarizados. Perdemos todos.

AI 4Ds

AoHから生まれたAIワークショップへのお誘い

Durante o evento do Art of Hosting no Japão tivemos uma sessão rápida de 1 hora sobre as diversas metodologias e fiquei com o grupo trabalhando Investigação Apreciativa. O grupo era bastante grande e depois do final muitos vieram dizer que gostariam de ouvir mais ou que estavam em outros grupos e não puderam participar.

Os participantes não eram desconhecedores de IA: muitos já conheciam e aplicavam e estavam interessados em trocar experiências. Dia 28 de junho em Tóquio vamos ter um espaço de algumas horas para esta troca.

from wikipedia

União de amigos

Acabei de chegar de volta a Barcelona depois de um mês no Brasil e já fui logo para uma oficina com o pessoal de Karlskrona. No fim, 5 semanas com muitos agitos com os amigos e família.

Além das maravilhosas conversas e reencontros com todos que foram acontecendo nos entrementes, o mês começou com o Conexão Borboleta na Serra do Cipó, onde eu reaprendi aos 45 minutos do segundo tempo que tem sim uma coisa pra eu fazer nesse mundo. E reaprendi ouvindo alguém falar de amor, de conexão, de espaços. Fiquei com essa música.

Depois foi ótimo estar em Belo Horizonte e em Brasília com um monte de gente especial. Maravilhosos hosts que adoram as cidades em que moram – e deu pra sentir o que isso significa. Em cidades bem diferentes, as características não importam, o que importa é boniteza dos olhos.

Fizemos um fim de semana com as Dinâmicas Humanas – foi muito bom estar em contato com o tema, mas acima de tudo de poder anfitrionar como aprendiz, ouvindo o jeito de fazer das minhas companheiras que também há muito eu não via, muitos menos trabalhava. Foi um ótimo fim de semana de revisitas a gente querida.

Na semana seguinte teve encontro com o pessoal do ELOS, gente nova no Hub e mais uma bateção de perna para conhecer pessoas legais que perambulam atualmente por São Paulo. Foi a semana em que meu irmão se casou (claro, teve festa), e foi duro mas divertido poder reconhecer a família que mudou um pouco com os anos, mas o sorriso, claro, continua. 🙂

A última semana aconteceu com o Art of Hosting no Brasil (veja as fotos que a Francis tirou). Foi muito bom ver esse encontro acontecendo “de havaianas”, como nós o apelidamos. Tirou um pouco o jeito ‘instituição do aprender’ que as vezes me parece. Foi rigoroso (porque eu sou rigoroso, né? :), mas leve. Gostei do encontro e gostei mais de ver pessoas queridas que conheço de lugares diferentes se encontrando e conversando – não qualquer conversa, as significativas, é claro. Read more

Conexão Borboleta na Grécia

Você acorda um dia e decide que é hora de criar um momento pessoal e escutar qual é o chamado do mundo para você ser e fazer em seguida. Você desconecta da sua rotina diária e sai em retiro, e nesse retiro você simplesmente coloca um tempo em estar consigo mesmo e se perguntar: qual é o chamado do mundo para mim agora?

Imagine que você está em um espaço que convida para uma reflexão pessoal e um grupo de pessoas que estão nessa mesma procura participam desta jornada com você  – uma jornada de questionamento pessoal e coletivo para que o seu chamado fique claro para você.

Eu acabo de voltar de um destes espaços, uma mágica fazenda de olivas perto do Monte Pelion na Grécia, onde fomos abençoados com lua cheia, onde pássaros cantam suavemente durante toda a noite, e borboletas durante o dia trouxeram cores para o verde vibrante.

Meus colegas e eu, ainda nos conhecendo, entramos em uma descoberta coletiva sobre as perguntas que importam para ajudar em nossa jornada interna, uma jornada para explorar nossos talentos pessoais e nos conectar com nossa fonte de motivação. Nós ficamos em silêncio juntos e também compartilhamos nossas reflexões e insights com o grupo.

O resultado deste espaço é bastante pessoal, mas também floresce em uma forte comunidade. É como se a força que você ganha por estar conectado com o mundo ressoe com outros e talvez inspire outros a encontrar sua própria conexão. Estar conectado e saber seu caminho único para expressar seu talento neste mundo é como cada um se torna um instrumento.

É como estar em uma Jam onde você afina o seu instrumento e toca com todo o seu ser, conectado com sua alma. Você é um virtuoso em seus próprios talentos e toca seu instrumento com graça. Outros entram na música trazendo beleza e diversidade, e finalmente nós ouvimos a harmonia coletiva que sai do que gera uma conversa entre pessoas, natureza e o universo. Read more