A vida viaja de um jeito estranho

A vida viaja de um jeito estranho. Já dizia aquela música que quando as coisas não vão bem, mas o caminho está certo, vem sempre um sinal e uma oportunidade para você voltar a acredidar e dar mais um passo a frente.

Experiências são que nem bananas, temos de vários tipos (aprendi isso outro dia). Enquanto as experiências ruins são cicatrizes que o tempo dissipa e o cuidado fecha, a emoção e excitação das boas experiências são uma afagada na alma que te cerca de pessoas poderosas. Elas vão te lembrar que existe marca que não é de fechar nunca e cuidado que é de aumentar sempre.

Ainda que nem a banana, depois de uma que amarra mais é sempre bom vir uma banana ouro, ou uma penca delas. E a arte de cuidar das pessoas continua contagiante e eu, apaixonado por ela.

O Pastor Amoroso
Alberto Caeiro

O pastor amoroso perdeu o cajado,
E as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
E de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe para tocar.
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu.
Nunca mais encontrou o cajado.
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo:
Os grandes vales cheios dos mesmos verdes de sempre,
As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem,
estão presentes.
(E de novo o ar, que lhe faltara tanto tempo, lhe entrou fresco
nos pulmões)
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor,
uma liberdade
no peito.