Corrida para Lugar Nenhum

Os entusiastas em educação normalmente vibram com os vídeos que mostram algumas fichas caídas sobre a nossa educação atual — os vídeos no youtube do Ken Robinson sobre criatividade e paradigma da educação são vistos como quebras do modelo de pensar atual. Acabei de ver um trailer de fime muito interessante — “Race to Nowhere” — Corrida para Lugar Nenhum — vejam:

httpv://www.youtube.com/watch?v=IPj9HNq-VmM

O começo mostra como é hoje — um sistema que conhecemos e apesar de não gostar, ainda não sabemos como substituí-lo de maneira completa e sistemática. Ter consciência de que é uma corrida a lugar nenhum é realmente um passo, mas o que me impressiona é o final — a mesma crítica que eu fiz ao vídeo do Ken Robinson. Lá, percebendo que a definição de sucesso que as crianças tem que engolir hoje não faz sentido, a proposta implícita é a de um bando de experts em crianças e educação definirem o sucesso que elas terão que engolir daqui para frente.

Claro que o filme será legal — e com certeza vai valer a pena assistir. Só acho que ele tem grande chance de ser ótimo em mostrar o nonsense da educação atual e no entanto ser bem fraco em mostrar um caminho além do trocar seis por meia dúzia, de vender um tipo de pressão por outra.

Essa segunda parte vem de umas poucas frases copiadas abaixo que me fizeram pensar que a turma ainda não entendeu que não é por aí:

“Nós precisamos redefinir o que é sucesso para as nossas crianças” — ah, deixem as crianças em paz para definirem o que é sucesso para elas, qualquer outra coisa é receita para decepcionar-se no futuro — aos pais mais preocupados eu digo o que acho: elas terão a capacidade de começar o rat race se elas quiserem, só talvez não sejam o/a virtuoso/a com dez mil horas de matemática como você gostaria que fossem.

“Os empregos exigem que você saiba pensar criticamente…” — isso cai na mesma idéia do vídeo de paradigmas do Ken que eu já comentei.

“Precisamos realmente pensar o que é necessário para produzir [formar] pessoas felizes, motivadas e criativas.” — Ué, mas as crianças já não são felizes e criativas sem essa tal produção?

Não duvido que o filme vai fazer muito sentido e será bem-vindo. Estou me esforçando para deixar para lá a idéia de que muita gente vai achar revolucionário. Paciência.