by Elizabeth Albert

Ensino em Casa no Brasil?

by Augusto Cuginotti

Os pais gerando um experiência escolar legítima no ensino em casa: “Ei, bunda mole, tô conseguindo ver sua calcinha!”

Ensino em casa é bastante famoso nos EUA (onde se usa o termo em inglês homeschooling) e relativamente conhecido também na Europa. Recentemente temos ouvido muita notícia sobre esse tema no Brasil. Será que faz sentido por aqui?

Ouvi essa pergunta e tive a oportunidade também de ver essa reportagem abaixo.

Vou fazer ping pong com os lados da história:

Contato constante com os pais

Aprender acontece em qualquer situação, mas elas não são todas iguais – estar sob a tutela dos pais a todo o momento é matar a diversidade de tons e relações de aprendizagem que a criança pode ter. Isso não significa estar totalmente afastado dos pais, mas significa ter momentos de relação com outros. Pais ensinando em casa os seus próprios filhos a todo o momento é monotônico.

Além disso, pais sempre carregam uma expectativa em relação aos filhos, alguns tem até uma prejudicial ansiedade. Papel de pai inclui querer o bem os filhos e essa proximidade vem atrelada a expectativas em relação a eles. Essa expectativa é pressão que tanto pai quanto filho tem que aprender a superar.

Espaço público onde se aprende

Aceitamos sem questionar o monopólio escolar do aprendizado e muito pouco se fala de espaços públicos de aprendizado diferentes. É realmente triste que legalmente o único ambiente público de aprendizado no Brasil seja a escola.

Clube não é a escola

Clube, ballet, aula de piano e acampamento de verão não são o que é a escola para uma criança. A escola tem o potencial de ser um espaço relacional que todos estes outros lugares não tem. Estar em uma escola é ter a oportunidade de relacionar-se com outros de um jeito que nenhum destes outros espaços permite.

Isso não quer dizer que a escola seja um modelo de comunidade ou de um espaço relacional, mas que tem possibilidade de ser, enquanto que o clube e o acampamento de verão não tem.

Miscelânea

Pai e mãe podem, mas não precisam ser preparados para educar filhos em casa. Ser pai e mãe já é um peparar-se constante, é ser pai e mãe – essa é toda a “dinâmica familiar” necessária. No mais, o que eu acho engraçado dessa coisa toda – quando se está doente a gente procura um médico. Quer construir uma casa? Um arquiteto. Agora pedagogo e professor não serve para nada, né?

Adorei a ilustração do copo na torneira para encher. Deixa claro o que a pessoa entende por aprendizado e dá a sensação de que a doutrina de ensino em casa não é muito diferente da doutrina escolar do século XIX. Eu processava também.

Numa nota a parte, o gordinho detonou.

Para Ler Mais

  • Aprender sem Escola
  • Estudo da Câmara dos Deputados
  • Por uma Aprendizagem Natural
  • Can You Have a Viable Education Outside of School? (em inglês)