mais ou menos inteligentes

Essa é uma reflexão de uma entrevista com Humberto Maturana.

Meus colegas ambientalistas não ficavam contentes com minhas frases pedindo a extinção do Ministério do Meio Ambiente o mais rápido possível. Faz sentido, não? E a outra, que passa na entrevista do Maturana: não existe nada que não seja natural neste mundo, não somos tão inteligentes assim.

Olhe para uma árvore de plástico e uma lá do Parque Ibirapuera. Prefiro esta última pelo mesmo motivo: não somos tão bons assim. Ela é muito mais elegante, caótica, organizada, poética e funcional que a primeira. Por enquanto, incopiável. Lá é verdade que temos umas coisas que são rearranjos geniais, que se faça justiça a nossa inteligência.

leite
Há algum tempo ouvi uma história de que os professores ficaram espantados quando as crianças começaram a desenhar caixas de leite em vez de vacas para a tarefa que pedia: crianças, desenhem aí no papel de onde vem o leite que vocês tomam em casa.

O fato é que as crianças sabem identificar algumas marcas de leite, mas muitas nunca viram uma vaca na vida. Não estou certo se isso é normal ou não, mas também acho que cognitivamente ela vai ficar bem… muito inteligente e com sua linguagem tinindo para o exercício da vida adulta.

Qual será a diferença então?

Para mim é como história contada por muitas gerações: quanto mais longe da fonte se está, mais difícil contar a história toda, apesar da moral continuar compreensível.

A falta de conexão das pessoas com a fonte das coisas explica o consumo desenfreado, a geração de lixo excessivo e outras práticas de quem não sabe da onde vem e para onde vai tudo o que passa em nossas mãos todos os dias.

Se por um lado essa forma de trabalhar nos permitiu focar em tecnologias avançadas que geram marcas de carro e de leite com eficiência, nos colocou longe dos verdadeiros produtores, e esquecemos. Será que isso vai nos levar para um futuro na Lua e comendo cápsulas? Bom, nesse caso, diferente de antes, acho que somos mais inteligentes do que isso.

Também acho que a conservação não é pela Terra, é por nós. É um misto de ecologia profunda e vergonha na cara. Faz sentido? Se fizer para mim, escrevo mais.