Baniram as sacolas plásticas. E agora?

Bansky e Sacola Tesco
Adoramos a sacolinha!

Sim, eu sou a favor de banirem sacolas plásticas dos supermercados. Mas o que poderia parecer uma decisão óbvia num mundo onde a humanidade entende mais o impacto causado pelo acumular do plástico no ambiente, virou tema de discussão por ter um processo de implementação mal administrado pelo governo municipal.

Esse tipo de proibição tem algumas características similares da decisão do governo de que teríamos que passar a usar cinto de segurança nos automóveis. Todo mundo pode compreender rapidamente porque o uso do cinto e a diminuição de plástico não-reutilizável traz benefícios (a ABIEF, claro, discorda). Como no caso do cinto, mesmo em face a uma mudança compreensível, reclamamos.

Estamos acostumados a pegar um monte de sacola de plástico e no começo vai ter um monte de gente contra mesmo. Sacola de plástico não incomoda muito, mudar o costume sim. Vai passar. Assim como passou nos países onde isso já é lei.

Mas será que é só a quebra de costume que está fazendo as pessoas reclamarem? Eu acho que não. Também pesa o fraco processo de informar e conscientizar o cidadão do porquê das mudanças.

Segundo noticiou a Veja em maio do ano passado, não só teve bastante tempo para que pudéssemos todos saber dessa mudança como existia uma (fraca) forma de divulgação relacionada com o uso de sacolas renováveis. Muito cidadão, que não acompanha o que aprova a câmara municipal, foi pego de surpresa 7 meses depois da lei ter sido aprovada.

O que me parece ter sido mal feito não é a lei (que repito acho que deve estar aí), mas o governo achar que ter uma placa informativa é suficiente para que o consumidor conhecesse e tivesse tempo de discutir o que se discute hoje ANTES da lei entrar em vigor.

E as discussões de que isso é uma forma de supermercados ganharem mais dinheiro? Eu duvido muito. Claro que na mudança de uma política pública a iniciativa privada vai fazer o que gosta, maximizar os lucros. Para ir contra essa palhaçada de usar mudança para encher o bolso basta fazer uma coisa bem simples: desenterra aquela sacola da vovó e leva para o supermercado.

O jornalista André Trigueiro escreveu um artigo que mostra que o país é o paraíso dos sacos plásticos. O pessoal da ABIEF vai ter que aprender a mudar o foco do negócio por que as coisas estão mudando. A empresa Kodak, que não mudou o foco rápido o suficiente com a chegada das câmeras digitais, pediu concordata. O jeito de lidar com o ambiente mudou e com ele a economia.

Sacolas plásticas são um passo. Haverá mais.

Agora me diz, o que você acha?