sobre o menino-livro, o velho-árvore e a vida de uma borboleta

Reza a lenda que desde o início dos tempos o jovem quer provar ao velho que é sábio. E é fracassando sempre que ele acaba conseguindo.

Quase que foi ontem, aqui embaixo dessa árvore mesmo, que esse jovem lia e lia, acumulava todas as quatro operações, as filosofias e as entropias cerebrais. Devidamente treinado ele foi ter com o velho para demonstrar tudo o que sabia.

A porta dos aposentos fez um barulho de ferro enferrujado e na atmosfera marrom se destacava um homem de barba branca, face suave, ceroulas e chinelos havaianas.

Sente-se meu filho, ele disse. O jovem sentou e bombardeou as questões das mais complicadas até se dar conta que o velho não tinha resposta para nenhuma delas. Que tipo de sábio pode ser se não responde a nenhuma de minhas perguntas?

E o velho foi lá explicando que essa tal de leitura não iria dar a ele o que procurava, que ele precisava era conhecer sobre a vida. Dito isso apontou para a janela, Aquela árvore em que a pouco te sentavas, está vivendo ou está morrendo?

O jovem se irritou por não saber dar uma resposta simples ao seu anfitrião, agarrou uma borboleta que estava no parapeito da janela e perguntou: Esta borboleta, que está aqui em minha mão, está vivendo ou está morrendo?

E o velho sorriu e disse. Essa resposta não pode estar comigo, mas acredito que você irá encontra-la em suas mãos.