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União de amigos

by Augusto Cuginotti

Acabei de chegar de volta a Barcelona depois de um mês no Brasil e já fui logo para uma oficina com o pessoal de Karlskrona. No fim, 5 semanas com muitos agitos com os amigos e família.

Além das maravilhosas conversas e reencontros com todos que foram acontecendo nos entrementes, o mês começou com o Conexão Borboleta na Serra do Cipó, onde eu reaprendi aos 45 minutos do segundo tempo que tem sim uma coisa pra eu fazer nesse mundo. E reaprendi ouvindo alguém falar de amor, de conexão, de espaços. Fiquei com essa música.

Depois foi ótimo estar em Belo Horizonte e em Brasília com um monte de gente especial. Maravilhosos hosts que adoram as cidades em que moram – e deu pra sentir o que isso significa. Em cidades bem diferentes, as características não importam, o que importa é boniteza dos olhos.

Fizemos um fim de semana com as Dinâmicas Humanas – foi muito bom estar em contato com o tema, mas acima de tudo de poder anfitrionar como aprendiz, ouvindo o jeito de fazer das minhas companheiras que também há muito eu não via, muitos menos trabalhava. Foi um ótimo fim de semana de revisitas a gente querida.

Na semana seguinte teve encontro com o pessoal do ELOS, gente nova no Hub e mais uma bateção de perna para conhecer pessoas legais que perambulam atualmente por São Paulo. Foi a semana em que meu irmão se casou (claro, teve festa), e foi duro mas divertido poder reconhecer a família que mudou um pouco com os anos, mas o sorriso, claro, continua. :)

A última semana aconteceu com o Art of Hosting no Brasil (veja as fotos que a Francis tirou). Foi muito bom ver esse encontro acontecendo “de havaianas”, como nós o apelidamos. Tirou um pouco o jeito ‘instituição do aprender’ que as vezes me parece. Foi rigoroso (porque eu sou rigoroso, né? :), mas leve. Gostei do encontro e gostei mais de ver pessoas queridas que conheço de lugares diferentes se encontrando e conversando – não qualquer conversa, as significativas, é claro.

Voltei para a Zoropa e fui para Karlskona – revi os amigos de lá, o lugar e a nova turma que está no mestrado este ano. Foi mais um Dinâmicas Humanas, com mais ou menos 50 pessoas. Começamos dançando, para o pessoal parar com essa idéia de que eu faço palestra, e depois as conversas foram fluindo. Algumas pessoas (as fisicamente centradas, para quem conhece do tema) fizeram comentários ótimos e fiquei contente de rever o impacto de se descobrir e se aceitar como alguém que funciona de uma forma diferente da que se espera em muitos ambientes ocidentais de hoje – e o imenso valor que isso tem. Fantástico.

Cheguei de volta a Barcelona hoje e fiquei pensando nessa experiência de 5 semanas. Pensei bastante, mas foi mesmo no momento de me desligar de tudo isso que se apresentou o valor dessa jornada e das amizades, tanto as que estão aqui pertinho quanto as do outro lado do oceano. Foi lendo Harry Potter (!?), que estou lendo agora o sétimo e último livro em catalão, que me fixei na passagem que a autora coloca no epílogo – passagem que vou copiar na linguagem que li, deixando o link para o original em inglês que achei na internet aqui.

A dica do catalão é uma só: mirall = espelho. O resto entende-se, creio eu.
Foram 5 semanas de presentes. Muito obrigado.

La mort no és sinó travessar el món, tal com els amics travessen els mars: continuen vivint l’un en l’altre. Hi són presents per força, en allò que estimar i viure tenen d’omnipresent. En aquest mirall diví es veuen cara a cara; i la seva conversa és lliure, i també pura. Aquest és el consol que donen els amics: que, per molt que es digui que moren, la seva amistat i la seva companyia són, en el sentit més noble, sempre presents, perquè són immortals.

WILLIAM PENN, Més fruits de solitud